Para ler e meditar

Meditação da paixão e da humildade de Cristo
O bem-aventurado Francisco, durante muito tempo, até à morte, sofreu do fígado, do baço e do estômago. E quando foi ao Oriente para pregar ao sultão de Babilônia e do Egito, contraiu uma doença de olhos muito grave, causada pela fadiga e, sobretudo, pelo excessivo ardor do sol, que teve de suportar na ida e na volta. Não quis, porém, ser tratado de qualquer daquelas doenças, não obstante os rogos dos frades e de outras pessoas movidas de compaixão para com ele, por causa do apaixonado amor que desde o princípio da sua conversão teve a Cristo.
Pela doçura e compaixão que todos os dias tirava da meditação da humildade e exemplos do Filho de Deus, considerava como grande doçura o que era amargo para o corpo. De tal modo se condoía, interior e exteriormente, das dores e amarguras que Cristo sofreu por nós, que não se importava dos sofrimentos que ele mesmo padecia.
Um dia, pouco depois da sua conversão, ia só pela estrada que passa junto de Santa Maria da Porciúncula e, pelo caminho, lamentava-se e gemia em altas vozes. Encontrou-se com um homem espiritual, que nós conhecemos muito bem e nos relatou o sucedido. Este homem tinha valido muito ao santo quando ele ainda não tinha frades, e assim continuou depois. Perguntou-lhe: “Que tens, irmão?” Pois julgava que era atormentado com alguma enfermidade. O santo respondeu: “Assim devia eu percorrer o mundo inteiro, gemendo e chorando sobre a paixão do meu Senhor.” E este homem pôs-se a chorar com ele, no meio de abundantes lágrimas.
(da Legenda Perusina, n. 37)
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