Para ler e meditar

A DEVOÇÃO DE SÃO FRANCISCO À PAIXÃO DO SENHOR
Coisa admirável e inaudita em nosso tempo! Quem não se há de admirar? Quem já viu coisa parecida? Quem duvidará de que Francisco se tenha manifestado crucificado quando estava de partida para o céu, sabendo que mesmo quando ainda não tinha desprezado plenamente o mundo exterior ouviu Cristo falar da cruz, em um milagre novo e inaudito? Desde essa hora, em que o amado se dirigiu a ele, sua alma se derreteu. Manifestou-se pouco depois o amor do coração pelas feridas do corpo. Mas desde essa época foi incapaz de deixar de chorar. Diante da paixão de Cristo, até chorava alto. Encheu os caminhos de gemidos, e não admitia consolação alguma lembrando-se das chagas de Cristo. Tendo-se encontrado com um amigo íntimo, quando lhe contou a causa da dor, levou-o também a chorar amargamente.
Mas não se esqueceu de cuidar daquela imagem nem deixou de obedecer a sua ordem. Na mesma hora deu dinheiro a um padre para comprar uma lâmpada e óleo, para que a imagem não ficasse um só momento sem a devida honra. E, sem preguiça, tratou de fazer o resto, trabalhando sem cessar na reparação daquela igreja. Porque, embora lhe tivesse sido falado daquela Igreja que Cristo conquistou com seu próprio sangue, não quis ir de repente ao alto, porque devia passar aos poucos da carne para o espírito.
(Frei Tomás de Celano – vida I, n.11)
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