Para ler e meditar
TENDO OUVIDO O EVANGELHO, FRANCISCO ABANDONA TUDO. IMAGINA E FAZ O HÁBITO QUE OS FRADES USAM
Leu-se, certo dia, naquela igreja (Porciúncula), a página do Evangelho que conta como o Senhor enviou os seus discípulos para pregar. O santo de Deus estava presente e escutava atentamente todas as palavras. Depois da missa, pediu encarecidamente ao sacerdote que lhe explicasse esse Evangelho. Ele explicou tudo e Francisco, ouvindo que os discípulos não deviam possuir ouro, prata ou dinheiro, nem levar bolsa ou sacola, nem pão, nem bastão pelo caminho, nem ter calçados ou duas túnicas, mas pregar o reino de Deus e a penitência, entusiasmou-se imediatamente no espírito de Deus: “É isso que eu quero, isso que procuro, é isso que eu desejo fazer de todo o coração”. Apressou-se daí o santo pai, transbordando de gozo, para levar a cabo o salutar conselho, e sem demora pôs devotamente em prática o que ouvira. Tirou os calçados dos pés, deixou de lado o bordão e, contente com uma só túnica, substituiu a correia por uma corda. Preparou depois uma túnica que apresentava o sinal da cruz, para afastar com ela todas as fantasias demoníacas. Fê-la muito áspera, para crucificar a carne com os vícios e os pecados. Fê-la muito pobre e mal acabada, para de maneira alguma poder ser ambicionada pelo mundo. E procurou praticar com toda diligência e reverência também as outras coisas que ouvira. Pois não era surdo ao Evangelho, antes guardava tudo louvavelmente de memória e tratava de executá-lo à risca.
(Frei Tomás de Celano – Vida I, n. 22)
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